Homenagem mais do que Justa à IRMÃ ASSUNTA TACCA

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Homenagem mais do que Justa à IRMÃ ASSUNTA TACCA

Notícia gerada em: 12/11/2025 15:03

A ABHP pede permissão e licença à ancestralidade de cada associado(a) e Ser presente nessa caminhada da homeopatia popular e a nossa Anciã e Mestra Irmã Assunta que vem em passos firmes, nos quais vem se fortalecendo em uma trajetória-histórica de muitas moradas que tem refletido no centro e na periferia de cada ser. A Irmã Assunta não caminha só e a ABHP também vem expressar esse reconhecimento por sua trajetória-histórica de lutas em defesa e trabalho pela Vida, pelos oprimidos, pelas periferias, mas sobretudo das várias moradas que a elevação da sua energia e força vital dinamiza e pulveriza nas várias comunidades que vem trabalhando ao longo da sua caminhada terrena.

Pensar e falar na Irmã Assunta, já exala uma energia de trabalho, de ação-reflexão-ação, mas também de silêncio e elevação espiritual. A Irmã não é uma estudiosa de fenômenos místicos, mas, sim, experimenta em si mesma a presença desta fonte divina que a inspira e permite comunicar-se com a vida, com a palavra, com a escuta e este olhar afetuoso carregado de sabedoria, daquelas que passam pela simplicidade e humildade de se fazer presente e presença em unidade e coletividade. 

A Irmã nos exige uma amorosidade crítica e ativa, em compromisso com aqueles que esperam de nós um olhar de cuidado e acolhida, independente de quem seja este outro. O reconhecimento, com o título de Dra. Honoris Causa pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul (UFPEL/RS) é valorizar e sobretudo compreender esse compromisso que reflete para nós a responsabilidade do momento presente, a importância de seu legado e as contribuições que traz no campo da saúde popular comunitária. Ainda que a saúde popular por uma parcela da população continue sendo marginalizada, ela representa e representou um diferencial na promoção da saúde, nos cuidados preventivos e complementares em meio a toda a crise sanitária de Covid-19 e em muitos períodos de mazelas sociais que restringem as condições de acesso a saúde e a vida digna.

O trabalho realizado pela Irmã Assunta vem sendo alicerçado sobre várias lutas sociais, políticas, religiosas, de opressão, violência, fome, desemprego, precarização do acesso à saúde, pois o seu trabalho começa muito antes da institucionalização do SUS. No município de Pelotas e na região ela já está inserida há mais de 50 anos. Nas comunidades rurais, principalmente no município de Canguçu próximo a Pelotas, chegou a conduzir sessenta e oito comunidades católicas em conjunto com suas equipes de trabalho.

A Irmã utiliza-se das ervas medicinais desde criança, aprendeu o uso com sua mãe e após na vivência de seu trabalho como missionária pelas ações de cuidado e no repasse pela oralidade, também vem desenvolvendo ao longo de sua trajetória histórica trabalhos educativos e de formação com compostos homeopáticos. A Irmã na sua simplicidade e humildade não de maneira ingênua, mas na integralidade que a constitui como uma grande sábia da vida, do mundo, do cosmo. Ela sai da polaridade e busca a unidade através de um princípio ecumênico que unifica e traz para o coração a partilha, a doação, a solidariedade do que há de melhor em cada ser, da sua humanidade e compaixão consigo e com o outro.

Em sua caminhada ao nos proporcionar refletir sobre quem é o nosso mais próximo, não traz a essa reflexão apenas um sentido bíblico, mas de ação e de vida. Vida que se constrói na luta diária de uma comunidade, região ou território. Não importa onde ela esteja física ou energeticamente sempre soube de sua missão neste plano terreno, porque a força, a persistência de sua dedicação e o compromisso com as lutas contra as misérias sociais cabe a grandes consciências de sabedoria que não se corrompem e não se justificam pelas normas e por vezes na inoperância do sistema. 

A Irmã Assunta nos diz que o conhecimento deve ser compartilhado, não devemos guardá-lo para si, mas potencializá-lo, à medida que dividimos e trocamos. Ela não desperdiça o momento presente, nem a energia, nem os insumos e muito menos o capital humano que a todo o momento é desafiado a ser melhorado enquanto ser consciente que se reconhece e assume sua missão e seus ofícios, trabalha e dedica um tempo de cuidado de si e do outro. Nos mantém presentificados e com atenção plena.

Para a ABHP, o trabalho realizado pela Irmã Assunta constitui-se como força vital pelos ensinamentos, as sinergias que potencializam dinamizações e campos frequenciais nos quais transmutam, elevam e ressignificam experiências de vidas e concepções políticas de um campo social e democrático que tem nos provocado e nos convocado à ação, ao reconhecimento, bem como na garantia de escolha pela diversidade nos cuidados na promoção de uma saúde de qualidade e em respeito a Vida, a Vida de Todos(as) e (es), mas também a Vida do Planeta, com base em uma cosmoética planetária.

Entendemos que suas práticas passam pela experimentação e são conjugadas pelo respeito às bases e tradições culturais, as quais podem contribuir nas discussões e elaborações de novos aprendizados e concepções metodológicas, além de políticas públicas, priorizando processos cuja abordagem seja a de integralidade do ser humano com seu ambiente, respeitando essa ecologia de saberes que coexiste no território e nas comunidades.

As ações realizadas a partir da experiência de trabalho da Irmã Assunta que culminam nesse reconhecimento e premiação somam-se a vários anos de caminhada com as comunidades em diferentes territórios. Tem contribuído com essas percepções tanto premiações anteriores, como o Prêmio Betinho quanto relatos, estudos, sistematizações, vídeos e documentários, entre estes, citam-se os estudos de Tese intitulada de “A Saúde Popular Comunitária e o Projeto Casa do Caminho: construindo a saúde integral com base em saberes ancestrais e decoloniais em comunidades rurais e de periferias urbanas da região sul do RS”, que tem a pesquisa nas comunidades mediadas pela ONG e Projeto Casa do Caminho, além da Associação Brasileira de Homeopatia Popular (ABHP), onde percebe a necessidade de reconhecimento destes(as) Mestres(as), aos quais tem oportunizado significativas contribuições às comunidades e à sociedade no campo da educação popular em saúde, dos saberes tradicionais e de metodologias ancestrais que culmina com a aprovação de uma Resolução na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para reconhecimento de Mestres e Mestras de Notórios Saberes. Agrega o trabalho de sistematização e reflexão das comunidades, na obra intitulada de: “A Saúde do Povo como missão: Irmã Assunta Tacca e a saúde popular comunitária”, por Rojane Brum Nunes e Marcolina Tacca (Irmã Assunta), contribuição em documentários que retratam a história da homeopatia popular.

Esse reconhecimento implica tanto na valorização do trabalho da Irmã Assunta quanto na possibilidade de novos processos de formação educacional a partir de uma experiência viva. Seus ensinamentos emergem em meio à natureza, a divindade e a espiritualidade que carrega. As plantas que dão base aos seus ensinamentos carregam os saberes de matriz africana fortemente estabelecido neste território que se fortalece por uma África Viva em conexão e profundidade com os povos originários deste território. Os modos de vida trazidos pela trajetória histórica da Irmã Assunta são indissociáveis das folhas, da terra, dos rios e animais, e por vezes condizem com a própria história da colonização que em seu percurso como missionária tem forte relação de aprendizado com os povos indígenas na região amazônica e na região norte do país.

Neste sentido, o trabalho realizado pela Irmã Assunta é importante porque contribui com processos de desenvolvimento e emancipação social do ser humano, tanto em seus ofícios individuais quanto coletivos. Em seu trabalho tem formado redes comunitárias de Bem Viver, de cuidado em harmonia com as práticas e concepções locais e territoriais.

A Irmã Assunta além da própria longevidade traduzida pelas formas de cuidado, as memórias, a contribuição no desenvolvimento do ser humano, a sua relação com um lado espiritual mais conectivo e respeitoso, onde cada ser pode ser quem é, pois em seu ecumenismo vai desenvolvendo a ética entre as religiões, fortalecendo as curas e a própria conexão e compreensão do ser.

A Irmã além dos processos educacionais que passam desde as crianças do Instituto São Benedito em Pelotas, tem um amplo trabalho nas comunidades de periferias urbanas e rurais, bem como no presídio. Em comum as formações, o apoio social no desenvolvimento humano e a possibilidade de servir através dos ofícios e missões de cada ser que reverbera em suas comunidades e coletividades. Neste sentido, levantar e caracterizar seus princípios pedagógicos, seus valores humanísticos e seus conhecimentos históricos, através do registro de sua trajetória de vida, sua relação com as comunidades e esse entrelaçamento-vida que vem compondo sua trajetória, podendo assim, refletir sobre suas ideias, ação-reflexão-ação, a partir de sua práxis. Por fim, relaciona-se seus ensinamentos e processos pedagógicos tendo a base freiriana na pedagogia do oprimido e da autonomia, mas também na resistência de uma opressão que se diferencia pelos condenados da terra da vez ou da própria contemporaneidade, pois seu trabalho é de emancipação do sujeito.

É uma mulher batalhadora que não desanima nunca diante dos percalços da vida, mas enfrenta-os com paciência e sabedoria, supera-os e segue em frente, com toda a força, sem medo de dizer a verdade. Traz a liberdade do espírito, da vida sentida e corporificada em momentos de dor, acolhimento, às vezes de pequenos silêncios, mas na maioria delas em constante luta, porque por ela não se perde uma semente.

A Irmã costuma compartilhar de sua experiência com aqueles que se inserem ao longo do percurso desta caminhada-vida periférica e de constante cuidado. A importância de trazer a mensagem de que pode e deve ir a qualquer lugar, respeitando os princípios de Deus, buscando a conexão com o seu coração, sua energia sagrada, pois do contrário, se não dialoga com a sua práxis, ou seja, se não ecoar no íntimo do ser, no corpo encarnado, na palavra transmitida vai continuar sem sentido.

Para a ABHP, a Irmã Assunta tem nos ensinado a estar em constante construção dessa experiência comunitária. Ela não se identifica com a ação em si, ela entrega toda a ação e o trabalho a Deus e uma vez que ela não está identificada e apegada na ação, mas sim no dever e no compromisso de doar-se com amor, com solidariedade, com persistência e na confiança deste percurso, onde o trabalho tem importância e continuidade.

Assim, a ABHP reforça seu compromisso em preservar as memórias, as identidades, o pertencimento, porque encontra no Outro(a) essas trocas, ancoramento e semelhança na procura e no encontro do equilíbrio da força vital, bem como as lutas pela vida, por justiça social, fortalecidas por bases democráticas de educação popular, cooperadas e solidárias.

 

Instagram; TES_PPGER_2023_FERREIRA_FERNANDA.pdf (PROTEGIDO)


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